Travestis e Transsexuais no Esporte: publicação no Twitter viraliza ao defender polêmica

Publicação no Twitter viraliza ao trazer argumentos que contrariam a opinião popular, de que pessoas trans teriam alguma vantagem no esporte. A publicação, no entanto, é tendenciosa e não vai fundo aos fatos, trazendo perspectivas tangenciadas. Acompanhe aqui.

Volta e meia essa polêmica reacende, dividindo opiniões e gerando bastante desconforto: Travestis e Transsexuais possuem alguma vantagem no esporte? Com cada dia mais espaço midiático, levantando bandeiras de inclusão e representatividade, a causa trans tem feito barulho no país e no mundo, com cada vez mais pessoas exigindo direitos e relacionados à ideologia de gênero.

Esta semana uma ‘thread’ viralizou no Twitter: o perfil @VoleiTudo levantou argumentos em defesa da causa, como forma de trazer um outro viés a essa discussão.

Que diabo é thread?

Uma ‘thread’ no Twitter significa uma sequência de postagens relacionadas, que levantam argumentos ou fatos em defesa de um ponto de vista. Possui semelhança com um texto dissertativo-argumentativo, mas sem a estrutura engessada cobrada numa redação comum. Além disso, por ser uma rede social, permite vídeos, links e fotos anexados, o que ajuda a ilustrar bem aquilo sobre o que se deseja falar.

Em tempo: a palavra thread viralizou essa semana, por ser o nome utilizado pela nova rede social do Grupo Facebook, a qual chega para rivalizar com o Twitter.

Trans no Esporte

Mas vamos aos argumentos levantados. O perfil começou o ‘fio narrativo’ lembrando que transsexualidade no esporte não é algo novo, contrariando o que muita gente pensa. Já se vão 20 anos desde que o COI, Comitê Olímpico Internacional, deu a liberação oficial, em 2003. Essa liberação também não foi ‘do nada’: havia 13 anos que a pauta era debatida e, para que fosse conseguida a liberação, alguns termos foram estabelecidos:

  • É cobrado um nível de testosterona de 2,5 nmol/L no sangue para estar apto às competições (valor menor do que o das pessoas não-trans);
  • É exigido um período de 12 meses por um processo de hormonioterapia (com utilização de estrogênios e bloqueadores), para redução dos níveis de testosterona; esse processo também é feito por atletas não-trans, quando passam dos níveis estabelecidos.

Retratos e Canções

Em relação aos estudos, o fio narrativo apresenta dados que contrariam o preconceito popular sobre travestis no esporte. De acordo com o ‘Race Times For Transgender Athletes’, durante a hormonioterapia atletas trans tendem a perder cerca de 12% da velocidade, força e resistência.

Vale ressaltar aqui que eles perdem 12% de sua própria resistência. E não da resistência relacionada aos outros competidores.

Além disso, precisam cumprir com uma enorme rigidez de normas estabelecidas, como é o caso da jogadora brasileira de vôlei Tiffany, que afirmou ser “obrigada a se furar” mensalmente, para prestar conta em relação às suas taxas hormonais. Apesar de claramente incomodada, ela sabe que é importante estar certa em relação às regras, como forma de evitar problemas.

Conclusões Twitteiras

A thread ainda faz menções a outros casos de atletas transsexuais que não teriam nenhuma vantagem em relação aos pódios, por conta de suas taxas hormonais. Por fim, em conclusão, o fio apresenta dois estudos que revelam não terem chegado à nenhuma conclusão real sobre a existência de benefícios de pessoas trans em relação aos atletas não-trans. 

Vale a pena, no entanto, lembrar do caráter narrativo do Twitter, sendo uma rede social na qual as pessoas falam o que querem, trazendo pontos de vista que ilustrem bem o caminho pelo qual se deseja conduzir uma argumentação. E você, leitor do Esporte e Mídia, qual sua opinião sobre essa polêmica?

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