Já era de se esperar. O amistoso ocorrido na Espanha, entre as seleções do Brasil e Guiné, no último sábado 17 de junho, teve baixíssima participação do público: a segunda pior audiência do século (excluindo os tempos de pandemia(, segundo informações liberadas pelo estádio do Espanyol, onde aconteceu a disputa, na cidade de Barcelona. Ao todo, foram 10.929 presentes, mesmo com distribuição gratuita de ingressos.
Mais vazio que exposição em museu
Vale lembrar que o primeiro pior público já registrado foi numa partida entre Brasil x Camarões em 2001, na Copa das Confederações (10.519 presentes). Num amistoso, o pior índice havia sido em Curitiba, 2001, numa disputa Brasil x Panamá: 15.549 torcedores estiveram naquele estádio. Portanto, Brasil e Guiné podem se considerar o amistoso com pior número de audiência do século!

CBF não tá nem aí
Na verdade, a CBF está bem aí. Isso porque, tudo o que eles queriam era fazer o mínimo de alarde possível. Já é sabido que essa partida faz parte de um conjunto de ações pensadas em ‘represália’ aos episódios de racismo nos gramados espanhóis, sendo os jogadores brasileiros o principal alvo dos criminosos. Vini Jr, Rodrygo e Casemiro, jogadores do Real Madrid e que vivem bastante dessa realidade, estavam presentes na partida.
Passou batido
Possivelmente o que enfraqueceu a assiduidade do público foi realmente o gancho em relação ao racismo. Esse é um assunto desafiador para a sociedade espanhola, falsamente mascarada de ‘primeiro mundo’. Na verdade, todos os fatores levam para uma mesma linha de pensamento: a mídia nacional também não fez questão nenhuma de cobrir o evento, com pouquíssima divulgação na cidade. Outro argumento levantado seria o pouco interesse da sociedade espanhola pelo futebol de seleções, preferindo o futebol das Ligas, tão famosas no continente.
Fez o requisito
De qualquer forma, o produto foi entregue. A partida aconteceu, as camisetinhas pretas foram usadas, ganhando repercussão na mídia internacional. O presidente da CBF no Brasil, Ednaldo Rodrigues, foi elogiado pela iniciativa; e o presidente da FIFA, Gianni Infantino pagou de bonzinho ao lado de Vini Jr., ao anunciar medidas contra o racismo no futebol em geral.
A partida ocorreu tranquilamente, terminando em 4 x 1 para o Brasil: menos mal para o técnico interino Ramon. Como diriam os mais velhos: Tudo como d’antes no Quartel de Abrantes.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.
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