Parece que a moda da autodeclaração não anda colando bem no setor do esporte. A prova disso é a resistência que os órgãos reguladores têm apresentado para aceitar a ideia de que e-sports seriam, de fato esportes. No Brasil, a ministra Ana Moser já avisou que não vai liberar um tostão para incentivá-los, sendo eles algo característico da indústria do entretenimento. Agora foi a vez de Vincent Pereira, head do Comitê Olímpico Internacional, de tomar parte do debate: segundo ele, não há nenhuma discussão em andamento para adicionar jogos eletrônicos ao programa olímpico, muito menos jogos de tiro.
Não confunda Zé carroceiro com Zeca Roceiro
O papo rolou durante a Semana dos E-sports Olímpicos, iniciada na última quinta-feira, 22 de junho. De fato, essa é uma iniciativa do Comitê de aproximar os jogos virtuais dos esportes olímpicos, mas Pereira foi enfático ao ressaltar que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
“não há, atualmente, discussão sobre integrar os esportes tradicionais reais e os videogames no programa olímpico […] Eu acho que, hoje, não estamos nesta fase, não estamos pensando nisso”
Segundo ele, talvez num futuro, haja a possibilidade de incluir simuladores de modalidades atléticas, como ciclismo e taekwondo, embora esse ainda seja um assunto bastante controverso para todos. De qualquer forma, uma coisa intolerável seriam os jogos de tiro, os grandes responsáveis por alçar os jogos eletrônicos ao status autal. Sobre isso, Pereira afirmou:
“Para nós, existe a clara limitação de que jogo de tiro em primeira pessoa nunca será integrado à nossa competição. Entendemos que a percepção pode ser diferente, mas não podemos ter esses jogos promovendo os valores olímpicos.”

Valores Olímpicos
Além da clara limitação em relação ao uso do movimento e ode ao sedentarismo, um outro problema grave é o fato de que os jogos virtuais atuais possuem um apelo violento e sanguinário, esbarrando nos valores olímpicos, tão conhecidos no mundo dos esportes. Não faz sentido algum estimular uma matança, ainda que seja fantasiosa. Vale ressaltar que essa é uma perspectiva ocidental: Os Jogos Olímpicos Asiáticos desse ano vão contar sim, com games apelativos, como League Of Legends e Street Fighter V: controverso, não?
Em abril do ano passado Emmanuel Macron, presidente da França, declarou sua vontade de inclusão da modalidade já para os Jogos de Paris, em 2024. Mas parece que o portal para essa chance só deverá reabrir em 2028, para os Jogos de Los Angeles.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.
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