Homofobia no futebol: presidente do Bahia e árbitro FIFA cobram debate

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Emmerson Ferreti e Igor Benevenuto destacam importância de combater a homofobia no futebol e revelam dificuldades de aceitação da diversidade sexual no meio.

O futebol é um dos esportes mais populares do mundo e ainda é um meio com dificuldades de aceitação da diversidade sexual. O presidente do Bahia, Emerson Ferretti, e o árbitro de futebol, Igor Benevenuto, são exemplos de figuras importantes que decidiram tornar pública sua orientação sexual, destacando a importância do combate à homofobia no esporte.

Ferretti, ex-goleiro de grandes clubes brasileiros, incluindo Grêmio, Flamengo, Bahia e Vitória, falou sobre a falta de interesse do futebol em abordar o tema

“Percebo que é um assunto que o futebol não tem interesse em abordar. As pessoas do meio ficam com medo de falar e fazem de conta que isso não existe.”

Para Ferretti, assumir a homossexualidade teve um impacto positivo em sua vida: 

“Foi importante falar que existe gay no futebol e que a sexualidade não interfere na profissão, no rendimento.”

Já Benevenuto, árbitro há mais de uma década e que atuou em diversos jogos importantes no Brasil e no exterior, revelou que sua atitude de se assumir como gay motivou muitas pessoas: 

“Muita gente me procurou, árbitros, pessoas do meio do futebol e de fora dizendo que minha atitude foi motivadora, porque eles vivem essa situação e não podem assumir.”

Igor, que chegou ao topo da carreira ao se tornar árbitro FIFA, revelou ter se sentido aprisionado antes de assumir sua homossexualidade. Um ambiente opressor gera inúmeros impactos negativos na vida pessoal e profissional de um indivíduo.

É preciso sair do armário

Em um meio grande parte machista e preconceituoso como o futebol, as declarações de Ferretti e Benevenuto representam grandeza, um passo significativo na luta contra a homofobia.

“Assumir (a homossexualidade) teve várias dimensões em minha vida. Pessoalmente, é uma sensação muito boa. Passei 50 anos escondido, tendo de representar para sobreviver no meio do futebol. Senti leveza ao me livrar disso, um ato de coragem”, disse Ferretti.

Para Benevenuto, mostrar-se ao mundo da forma como é teve impacto semelhante: 

“Foi libertador me assumir. Algo ótimo para minha vida e saúde mental. Muito importante para mim, em todos os sentidos. Claro que não vamos mudar tudo. Mas, uma sementinha que a gente planta, pode ser inspiração para alguma pessoa”, afirmou o árbitro.

Sair do armário” pode ser uma expressão ofensiva a depender do contexto inserido. No sentido da expressão, se assumir, se mostrar, é um posicionamento necessário para a transformação do meio.

Emmerson Ferreti e Igor Benevenuto destacam importância de combater a homofobia no futebol e revelam dificuldades de aceitação da diversidade sexual no meio.

Falta aceitação LGBTQIA+ no futebol 

Os jogadores Olivier Rouyer e Thomas Hitzlsperger, bem como o brasileiro Richarlyson, só revelaram sua orientação sexual depois de aposentados. Richarlyson foi alvo de preconceito por muito tempo enquanto jogador, todo brasileiro que acompanha futebol lembra dos insultos que ele sofria. 

O atleta Justin Fashanu, no auge do sucesso em 1990, deu uma entrevista para o The Sun com o título “Estrela do futebol de 1 milhão de libras: eu sou gay”. Logo depois ele viu a sua carreira despencar.

Atualmente, o australiano Josh Cavallo, lateral-esquerdo do Adelaide United, é um dos poucos atletas ainda ativos que é abertamente homossexual.

Dia de luta, dia de glória!

Um movimento liderado por Marcus Urban, ex-jogador alemão, tem ganhado destaque no Dia Internacional de Combate à Homofobia. Urban, que é abertamente gay, conta com o apoio de clubes renomados como Borussia Dortmund, Stuttgart, Union Berlim, Freiburg e  St. Pauli. A iniciativa busca incentivar jogadores, treinadores e árbitros a se declararem homossexuais e bissexuais, em um esforço para combater o preconceito no esporte.

O Dia Internacional Contra a LGBTfobia é celebrado em 17 de maio porque foi nesta data, em 1990, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

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