Colunista comenta imbróglio entre Globo e Flamengo pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca.
NOVOS PARADIGMAS A PARTIR DO FLAMENGO NO CARIOCA
Até agora o Clube de Regatas Flamengo e o Grupo Globo não encontraram um ponto de equilíbrio para assinatura do Campeonato Carioca 2020. A Taça Guanabara será disputada por um time Sub20, enquanto que a base campeã de 2019, a princípio, entrará na Taça Rio. Os estaduais possuem valores diferentes para clubes diferentes. Para os grandes, apenas uma competição sem sentido, para os pequenos, é o que há. Que digam os cearenses que serão rebaixados ainda neste mês. Voltando ao Rio de Janeiro, a disputa entre Globo e Flamengo não é nova, já aconteceu no contrato anterior e ela passa pela discussão do sentido dos estaduais. Esse tipo de competição tem um peso diferente na história do Brasil e do formato que estão já não cabem mais, deficitárias para os clubes e para a mídia transmissora. O que tudo este imbróglio sugere é que passou da hora de uma revisão do modelo de calendário adotado no país.
Gostaria muito de ver os estaduais em meio de semana e em data FIFA com o Brasilerão ao longo do ano inteiro. Todos sairiam ganhando, principalmente os pequenos, com um calendário maior. Junto a isso, ainda há outro problema que o próprio Grupo Globo criou, que são as negociações individualizadas. Esta prática pode nos levar a uma “mexicanização” dos contratos, onde cada clube negocia o seu, mas lá há o direito de arena. Competição vendida de maneira fatiada torna o acesso mais difícil e mais caro para o torcedor e para o fã do futebol.
Então, o caso Flamengo no carioca, ou lembrando o Athletico no Brasileirão são bons exemplos que nosso modelo de competição e de negócio já são ultrapassados.
ENQUANTO ISSO NO MORUMBI
Enquanto os estaduais não mudam, se é que mudarão, encontramos uma situação curiosa. São mais de 50 estaduais, entre as várias divisões e copas, e ainda há os estaduais femininos. Então cabe a pergunta, será que não caberia pelo menos 1 na pobre grade do Bandsports? Hoje o canal não tem nenhuma competição de futebol na sua grade. O canal atingiu a marca de 100 mil inscritos no YouTube. Em seis meses, o crescimento do BandSports foi de 273%, imagine agora se tivesse mais competições na sua grade.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
E AGORA PELOS LADOS DE OSASCO
Acompanhei a volta da Série A pela RedeTV!. Gostaria de tecer três considerações. A primeira é o bom abre-jogo da Série A. Um programete rápido que mostra uma visão panorâmica do jogo e dos envolvidos. Cria um contexto para o espectador um pouco desavisado do momento dos partícipes que se desafiam. Nos microfones, Paulo Sérgio, que é nosso segundo ponto. Um ótimo comentarista, analisa as jogadas, traz informações relevantes, e por ora faz até papel de repórter (que fala faz num jogo), enfim, ótima escolha da emissora. Já o terceiro ponto, o narrador Sílvio Luiz. Cresci ouvindo-o na fase “Band, o canal do esporte”. Criativo e bem-humorado, mas agora, desliza demais, não narra o jogo, conta ideias gerais, e deixa o jogo em segundo plano. Fala dos anos de 1990 e a história do tempo presente é ignorada. Por exemplo, no jogo entre Internazionale e Atalanta, implicou com a Atalanta o jogo inteiro, esquecendo-se da fase interessante que o time vive, faz pelo menos três anos. Em nome de sua história, daquilo que Sílvio representa na história da televisão brasileira e do respeito que o profissional merece, o canal deveria preservá-lo.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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