FATOS, ARGUMENTOS E INVESTIGAÇÕES
O que está acontecendo em Belo Horizonte? A semana foi menos “azul” que poderia ser. Não lamento, mas relato. E muito da intranquilidade instalada, na capital mineira, vem de um momento onde o jornalismo exerceu uma de suas competências, a investigação. Seria este o papel do jornalismo na sua essência? Se não for ele, faz parte. A investigação acontece para desvelar o factual. Sinto falta destas proposições, principalmente na mídia esportiva, que hoje vive a uma mesarredução das estratégias de se fazer notícia do esporte, principalmente na televisão.
Dentro deste contexto, uma parabéns público da coluna, e do site, ao trabalho de Gabriela Moreira e de Rodrigo Capelo por desvelar um problema grave, e que imagino, não ser único. A partir da investigação e do vazamento de documentos a questão está além da esfera esportiva. A Polícia Civil de Minas Gerais já instaurou inquérito para apurar denúncias sobre falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Se houve uma denúncia fundamentada, se faz necessária a apuração. No site do Globo Esporte, a reportagem escrita é muito interessante. Há documentos, há provas evidentes daquilo que é apresentado e as parcelas envolvidas são ouvidas. Portanto, há uma notícia cuidadosamente divulgada.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
Agora entro no que motivou a reflexão da coluna, pessoas desqualificando o Grupo Globo para desmerecer o trabalho investigativo. Em vez de propor brechas ou contra documentos, ataca-se o veículo que notícia. Uma grande falácia. Entendo a posição de um torcedor ferido, mas parece que o vice-presidente do clube ao ameaçar o jornalista Vinicius Nicoletti, do Fox Sports, foi pela mena linha. Ameçou expor o jornalista diante de um pergunta, digamos, mais direta. Não importa. O jornalista está em sua função. E isso me leva a uma pergunta. Que mundo estamos? Não tem fundamento lógico tentar desqualificar o argumento pela via do argumentador, que chamar-se-ia de uma falácia de desqualificação da autoridade. Aqui, autoridade entendida e reduzida aos veículos de notícias. Buscou-se descaracterizar a informação, não por ela, mas pelo veículo que ela está. Mas ao desligar a Globo ou a fechar o site, o facto permanece. E como diria Tostão, o futebol é uma metáfora da vida. Se assim for, parece que vivemos num espaço onde a busca pela verdade factual não tem mais valor. Tudo é tão estranho, reclama-se do vazamento dos documentos, do papel da imprensa, mas não se questiona a ausência honestidade das ações.
A coluna não pretende culpabilizar o Cruzeiro, enquanto entidade, mas deseja que os fatos sejam devidamente apurados.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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