Governo planeja restrições nos pagamentos de apostas online

Medida visa controle de uso de benefícios sociais e combate a apostas ilegais no Brasil

O governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou discussões com o mercado para estabelecer novas restrições nos meios de pagamento utilizados em apostas online

Embora as medidas ainda não tenham sido completamente detalhadas, o objetivo é regular de forma mais rígida as transações e evitar o uso indevido de benefícios sociais, como o cartão do Bolsa Família.

Proteção aos beneficiários do Bolsa Família

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan, destacou que o presidente Lula autorizou a imposição de limitações nos meios de pagamento, medida que pode incluir, eventualmente, o cartão do Bolsa Família. No entanto, ele garantiu que, até o momento, não há nenhuma ação que impeça os beneficiários de usarem o cartão para outros fins além das apostas.

Segundo Durigan, as primeiras conversas com representantes do setor de jogos e apostas online devem acontecer na próxima semana. 

“O público do Bolsa Família está protegido pela suspensão das apostas ilegais e pelo pente-fino que será realizado nas empresas autorizadas”, ressaltou. 

A intenção do governo é criar um ambiente mais seguro e regulado para os jogadores brasileiros, priorizando a transparência e a proteção aos grupos mais vulneráveis.

O presidente Lula e o ministro Haddad.

Proibição do uso de cartões de crédito

Entre as medidas já antecipadas, está a proibição do uso de cartões de crédito para transações relacionadas a apostas, que foi acordada com as operadoras de cartões e bandeiras. Essa restrição já havia sido incluída na regulamentação apresentada pelo Ministério da Fazenda, mas só entrará em vigor oficialmente em janeiro de 2025.

Durigan também mencionou a construção de uma “lista negativa” de empresas que não seguem as normas estabelecidas, visando facilitar a ação das autoridades, como a Anatel, para retirar sites ilegais do ar. A medida é parte do esforço governamental de bloquear as operações de apostas não autorizadas no Brasil.

Ações do Ministério da Justiça

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, reforçou a importância do trabalho da Polícia Federal no combate a crimes como lavagem de dinheiro e na fiscalização do envolvimento de menores de idade no mercado de apostas. 

A regulamentação busca impedir que influenciadores menores de idade façam promoção de plataformas de apostas, uma questão cada vez mais observada pelas autoridades.

Criação de um ambiente regulado

Durante a reunião que contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e André Fufuca (Esportes), o foco foi na regulamentação ampla do setor de apostas.

Lula associou o crescente uso de plataformas de apostas à dependência financeira, observando que muitas pessoas estão comprometendo suas finanças pessoais de maneira irresponsável. 

“Vemos muitas pessoas se endividando e gastando o que não têm. Para nós, isso é uma forma de dependência”, disse o presidente.

Haddad afirmou que já existem dez portarias em vigor que regulamentam o setor e que estão sendo seguidas as melhores práticas internacionais para garantir que o Brasil tenha uma estrutura sólida para enfrentar os desafios das apostas online. Ele também informou que cerca de 2.000 sites ilegais devem ser retirados do ar nos próximos dias, com um bloqueio programado para começar no dia 11 de outubro.

Reforço na regulamentação

Desde o início de outubro, apenas casas de apostas autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem operar no Brasil. Até o momento, 93 empresas receberam autorização, representando um total de 205 marcas de apostas diferentes. Esse esforço faz parte da tentativa de regulamentar o mercado de forma eficaz e proteger os consumidores brasileiros.

Com a intensificação das ações de fiscalização e regulação, o governo espera criar um ambiente mais seguro e transparente para o mercado de apostas no país. A expectativa é que, com essas medidas, os sites ilegais sejam bloqueados, limitando o acesso dos brasileiros a plataformas que operam fora das regras estabelecidas.

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