O estudo « O Impacto das Apostas Esportivas no Consumo » realizado pela PwC examina o rápido crescimento do mercado de apostas esportivas no Brasil nos últimos anos e suas implicações nos padrões de consumo das famílias brasileiras.
Com a regulamentação sancionada pela Lei nº 14.790/2023, o setor tem experimentado uma expansão significativa, tornando-se uma parcela relevante dos gastos das classes sociais mais baixas e influenciando diretamente o comportamento de consumo dessas populações.
Crescimento e Impacto Econômico
Desde 2018, as apostas esportivas vêm operando no Brasil, mas foi somente no final de 2023 que a regulamentação definitiva foi estabelecida. O estudo revela que o mercado movimentou entre R$ 60 e R$ 100 bilhões em 2023, com crescimento anual de 89% entre 2020 e 2024.
Esse aumento expressivo colocou as apostas esportivas em uma posição de destaque em comparação com outras formas de entretenimento, como cinema e games. A participação das apostas esportivas no orçamento familiar das classes D e E cresceu de 0,27% em 2018 para 1,38% em 2024, evidenciando uma dependência crescente desse tipo de lazer.
A pesquisa destaca que, embora o principal atrativo das apostas seja a possibilidade de ganho financeiro, apenas 23% dos apostadores relatam ter ganho mais do que perderam. Este dado sublinha um dos desafios do setor: a sustentabilidade financeira para os consumidores.
O impacto nas finanças pessoais pode ser significativo, especialmente em grupos de menor renda, onde o gasto com apostas já representa 76% das despesas com lazer e cultura ou 5% do que é gasto com alimentação.
Perfil dos Apostadores
O estudo da PwC traça um perfil claro dos apostadores no Brasil: a maioria são homens, jovens e pertencentes à classe média baixa. Especificamente, 40% dos apostadores são das classes D e E, o que revela que esse segmento de mercado atrai uma parcela considerável da população economicamente mais vulnerável.
A principal motivação para apostar é o desejo de ganhar dinheiro, mas a realidade é que muitos acabam reaplicando seus ganhos em novas apostas, criando um ciclo contínuo que mantém o capital dentro do ecossistema de apostas.
Além disso, o estudo destaca que cerca de 30% da população de baixa renda já fez alguma aposta esportiva, enquanto 21% ainda não conhecem a modalidade.
Isso sugere um potencial de crescimento considerável para o setor, especialmente se combinado com estratégias de marketing eficazes e regulamentação que garanta a proteção dos consumidores.
Impactos no Consumo e Potenciais Riscos
As apostas esportivas têm um impacto significativo no consumo familiar, especialmente nas classes D e E, onde as despesas com apostas podem chegar a 5,5% do valor gasto com alimentação. O estudo prevê que as apostas continuarão a crescer e a influenciar os padrões de consumo, potencialmente desviando recursos de outras áreas, como lazer, vestuário, higiene e até mesmo alimentação.
Este desvio de recursos pode ter implicações mais amplas, levando a uma redistribuição das despesas familiares que favorece as apostas em detrimento de outros tipos de consumo.
O relatório também aponta que o mercado de apostas esportivas no Brasil já pode ser comparado em tamanho a outros mercados mais maduros, como os Estados Unidos, mas ainda está abaixo em termos de valor per capita, em comparação com países como Itália e Reino Unido.
Isso indica um espaço significativo para crescimento, especialmente à medida que a regulamentação se consolida e as empresas buscam maneiras de atrair novos consumidores.
Desafios e Oportunidades
A regulamentação do setor, enquanto cria um ambiente mais seguro e estruturado, também traz desafios, como a necessidade de equilibrar a tributação para evitar sufocar o crescimento das empresas.
Com uma alíquota de 12% sobre o Gross Gaming Revenue (GGR) e 15% de imposto de renda nos ganhos pessoais, o governo brasileiro busca assegurar que o mercado seja tanto uma fonte de receita quanto uma atividade economicamente sustentável para os apostadores e as empresas.
Em conclusão, o estudo da PwC oferece uma visão detalhada sobre como o crescimento das apostas esportivas está moldando o consumo no Brasil, com implicações tanto para a economia familiar quanto para o mercado de entretenimento.
Embora o setor represente uma oportunidade de crescimento econômico e engajamento com novas formas de lazer, ele também levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dos consumidores e a necessidade de políticas que mitiguem os potenciais impactos negativos no orçamento das famílias brasileiras.
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Brasileiro de Salvador, Bahia. Psicanalista e Doutor em Materialidades da Literatura pela Universidade de Coimbra. Atualmente trabalha como Diretor Criativo de Conteúdo do Esporte e Mídia. É apaixonado por jogos online, slots, poker, blackjack e esportes eletrônicos. Escreveu para os maiores portais de IGaming, sites de apostas e cassinos online do Brasil. Comprometido com os bônus de boas-vindas e casas de apostas sem rollover.
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