A transformação de ex-jogadores de futebol da seleção brasileira em treinadores ainda é um fenômeno raro. Segundo um levantamento do site Bolavip Brasil, apenas 11,2% dos jogadores que participaram de Copas do Mundo entre 1990 e 2014 se tornaram treinadores. Este número é significativamente menor quando comparado a países como Argentina, Itália e Espanha.
O estudo analisou 832 ex-jogadores que competiram em Copas do Mundo. A Argentina lidera com 37,7% dos seus ex-jogadores se tornando treinadores, seguida pela Itália com 26,4% e pela Espanha com 26%. Em contraste, o Brasil tem a menor taxa entre os países campeões.
Por que é Difícil?
No Brasil, vários fatores contribuem para a dificuldade dos ex-jogadores em se estabelecerem como treinadores. Elano, ex-jogador que representou o Brasil na Copa de 2010 e que agora é técnico, menciona os desafios do início da nova carreira:
“Eu ainda não tive uma grande oportunidade. Meus trabalhos foram de três a quatro meses e tiveram bons resultados humanos, de campo e formação”, disse ele.
Elano destaca que a falta de estrutura nos clubes brasileiros muitas vezes impede que os treinadores concluam seus projetos. Ele compara essa situação com a confiança que clubes europeus dão aos ex-jogadores, como o caso de Xabi Alonso no Bayer Leverkusen:
“A gente vê metade do Campeonato Brasileiro com estrangeiros. O que eles têm é estar preparados e organizados há mais tempo”, afirma Elano.

Casos de Sucesso
Apesar das dificuldades, há exemplos de ex-jogadores que conseguiram se estabelecer como treinadores. Renato Gaúcho, que jogou pela seleção brasileira, atualmente comanda o Grêmio. Rogério Ceni, outro ex-jogador da seleção, é o técnico do Bahia. Ambos são exemplos de que, embora raro, é possível fazer a transição bem-sucedida de jogador para treinador no Brasil.
No entanto, a diferença em relação a países como Itália e Espanha ainda é grande. Treinadores como Carlo Ancelotti, Pep Guardiola e Luis Enrique, que também foram jogadores de suas seleções, encontraram um ambiente mais favorável na Europa para desenvolver suas carreiras como técnicos.
Formação e Qualificação
Para melhorar essa situação, a CBF fundou a CBF Academy em 2016. Este centro de formação de profissionais do futebol oferece licenças que qualificam os treinadores a atuarem desde categorias de base até competições internacionais. Desde 2019, a Série A do Campeonato Brasileiro exige que seus treinadores possuam as licenças A ou Pro.
De acordo com a CBF Academy, em 2023 foram formados 67 profissionais com a licença Pro, 195 com a licença A e 505 com a licença B. Este ano, 60 alunos estão cursando a Pro, 141 a A e 322 a B. A consolidação dessa cultura de formação e apoio é fundamental para o futuro do esporte no Brasil.
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Amanda Alvarez aprendeu com o seu pai todas as regras do futebol. Podia ser árbitra, se não tivesse escolhido o Jornalismo com ênfase em cobertura esportiva. Esteve nas Copas do Qatar e da Rússia, repercutindo o Mundial de Futebol para o público brasileiro. Torcedora do Santos, é súdita do Rei Pelé e Lucas Paquetá.
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