FIFA sob pressão: Anistia Internacional quer foco em direitos humanos na Copa do Mundo

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Relatório pede atenção na escolha dos países anfitriões para 2030 e 2034

A Anistia Internacional alertou a FIFA sobre sérias preocupações com os direitos humanos nas propostas de sedes para as Copas do Mundo de 2030 e 2034. Em um extenso relatório de 91 páginas, enfatizaram a importância de garantir que os países candidatos protejam totalmente os direitos humanos durante os megaeventos esportivos.  

A organização destacou que a FIFA deve realizar avaliações independentes e rigorosas antes de escolher os anfitriões, para evitar abusos contra trabalhadores, comunidades locais e torcedores. 

Controvérsias e desafios 

O histórico recente das Copas do Mundo revela alguns desafios enfrentados pela FIFA. Na Copa de 2022 no Catar, por exemplo, questões como o tratamento aos trabalhadores migrantes e condições extremas de trabalho foram criticadas internacionalmente. O país também foi questionado por suas leis restritivas em relação aos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+.  

A decisão de nomear à Rússia como sede em 2018 também gerou controvérsias, com questões sobre direitos e segurança no trabalho além de incidentes de corrupção em processos licitatórios. 

Preocupações com 2030 

Marrocos, Espanha e Portugal são candidatos para sediar a Copa do Mundo de 2030, mas a Anistia levantou sérias dúvidas sobre direitos humanos nesses países. Em Marrocos, faltam grandes obras, como um novo estádio para 115 mil pessoas. A legislação de saúde e segurança no trabalho ainda não foi aprovada, gerando preocupações com os trabalhadores. 

Na Espanha e em Portugal, a taxa de acidentes de trabalho é superior à média da União Europeia. Em 2023, durante obras no estádio Camp Nou em Barcelona, trabalhadores migrantes tiveram salários desviados. Além disso, ambos países enfrentam uma crise habitacional, com aumentos nos aluguéis causando despejos. 

Riscos para 2034 

A candidatura da Arábia Saudita para 2034 também enfrenta duras críticas da Anistia Internacional. O relatório mostra o “histórico terrível em matéria de direitos humanos” do país, que tem sido acusado de usar investimentos no esporte para melhorar sua imagem internacional, uma prática conhecida como “sportswashing”. 

Entre 2010 e 2021, 39% das pessoas executadas no país eram estrangeiros, muitas vezes por crimes não violentos, como a relação com drogas. A falta de liberdade de imprensa, jornalistas enfrentando censura, prisão e repressão por criticar o governo são outra questão alarmante. Um exemplo disso é o caso de Salma al-Shehab, estudante condenada a 27 anos de prisão por usar o Twitter para pedir reformas no país. 

A Anistia também levantou questões sobre os direitos das pessoas LGBTQIA+ na Arábia Saudita. As leis nacionais são vagas e aplicadas severamente, colocando essas pessoas em risco de repressão e discriminação. 

Recomendações para a FIFA 

Para lidar com esses desafios, a organização fez várias sugestões à FIFA. Uma delas foi a importância de conduzir avaliações independentes sobre direitos humanos para cada país candidato, além de garantir compromissos sérios dos países anfitriões para prevenir irregularidades

A FIFA, como principal organismo internacional do futebol, deve não apenas organizar competições emocionantes, mas também garantir que elas aconteçam em um ambiente ético e de respeito aos direitos humanos. A escolha dos países anfitriões deve considerar não apenas a infraestrutura esportiva, mas também políticas sociais e legais que promovam igualdade, segurança no trabalho e respeito aos direitos fundamentais. 

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