Vejam vocês como são as coisas. Não faz três dias, cá estava eu, neste mesmo sítio, falando com todas as letras que achava que esse tal de Topuria falava demais. Declarar que iria ganhar do campeão? Tudo bem. Mas dizer que faria a vitória parecer fácil? Aí já era demais.
Porém, foi isso que ele fez. O georgiano nascido na Alemanha e radicado na espanha nocauteou Alexander Volkanovski, o grande, com um cruzado de direita no segundo round, deixando o ex-campeão desacordado no tatame.
Porém, ele não fez “apenas” isso. No um round e quebrados em que dividiu o octógono com aquele que, para muitos, é o maior peso-pena de todos os tempos, El Matador dominou as ações e não correu nenhum perigo. Fez parecer fácil.
Passado e futuro
Foi, de fato, uma exibição de gala. Eu me rendo: estava errado, Topuria estava certo. E não adianta dizer que Volkanovski era velho, que havia sofrido concussão cerebral há pouco tempo, que acusava problemas de saúde mental e falta de motivação legítima para lutar.
Todos nós já sabíamos de tudo isso antes da luta e ainda assim achávamos que seria um confronto mais disputado do que foi. Agora, isso é passado, entrou para a história. Resta especular sobre o futuro do novo campeão da categoria até 65,8 kg.

Próximos passos
Logo após a vitória, na entrevista pós-luta, Topuria desafiou McGregor para uma lua na Espanha. Era uma pedra cantada, já que durante toda a semana ele vinha falando que gostaria de lutar no Santiago Bernabéu (estádio do Real Madrid) contra o irlandês.
Porém, não é um desafio realista. No final de semana que vem, dois tops da categoria, Yair Rodrigues e Brian Ortega, irão se enfrentar na luta co-prinipal do UFC México. E é bem provável que seu próximo oponente seja o vencendor desse combate.
Se ele desafiou Conor McGregor, que não luta há séculos e não dá sinais de que quer retornar tão cedo (nem tão magro), foi mais para manter o personagem que vem criando faz tempo. Personagem esse que, diga-se de passagem, eu não gosto, sobretudo porque imita Conor McGregor.
A sombra de McGregor
Algumas atitudes de Topuria pareciam cópias de atitudes do irlandês, como quando roubou o cinturão de Volkanovski durante a coletiva da exata mesma forma que McGregor fez com José Aldo antes de nocauteá-lo em 13 segundos de luta.
Porém, para o bem e para o mal, Topuria não é o McGregor. Sua personalidade não tem o mesmo magnetismo nem seo coração tem o mesmo amor pelo caos que o mega astro de Dublin. Por outro lado, ele me parece um lutador ainda mais interessante do que o irlandês.
Inclusive, antes do desafio ao irlandês, sua entrevista no octógono seguiu mais uma linha bem contrastante com que vinha mostrando, no sentindo de justificar sua autoconfiança (que muitos julgávamos excessiva), do que em manter o personagem de invulnerável.
Pode ser um caminho possível para a criação de um personagem, ou uma persona, que não tente apenas emular o que McGregor fez, mas conquistar seus próprios feitos, à sua própria feição.
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É formado em Letras pela UEFS, tem doutorado em Literatura e Cultura pela UFBA e toca violão todos os dias. Desde sempre, conciliou os estudos literários com um consumo substancial de jornalismo esportivo sobre MMA e futebol até que, num belo dia, decidiu unir o útil ao agradável e fazer do seu hobby uma profissão.
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