“É uma conquista coletiva, minha e de outras mulheres”, diz Karine Alves sobre cobrir Copa in loco

Em entrevista ao jornal OGlobo, a repórter Karine Alves, do sportv, falou sobre a experiência de cobrir a Copa do Mundo, no Catar, um país árabe. Ela destacou o olhar recebido por homens nas ruas.

“Muitas vezes estamos passando na rua ou gravando, trabalhando, e nos sentimos intimidadas. É um olhar invasivo, que deixa a mulher desconfortável”, revelou.

Apesar disso, afirmou que encontrou um país “bem tolerante”. “Não sabia direito o que ia encontrar aqui. Quando cheguei, encontrei um país que, pelo menos nas áreas onde tem mais turistas, está sendo bem tolerante. Não chego a sentir medo, mas fico mais alerta, cautelosa. Até para respeitar a cultura também, que é totalmente diferente da nossa, e compreender até onde vai o nosso limite para não desrespeitar o próximo”, contou ao jornal.

Karine Alves também celebrou a conquista de se tornar repórter em uma Copa do Mundo. “Cobrir uma Copa do Mundo in loco tem sido a realização de um sonho. É mais uma vitória que eu consegui. É uma conquista coletiva, minha e de outras mulheres que se espelham e que também querem seguir essa carreira”, afirmou.

“Nós, mulheres, estamos ocupando um lugar que já deveríamos ter ocupado há muito tempo. Pela primeira vez em uma Copa do Mundo, a gente tem arbitragem feminina e uma brasileira como assistente”, acrescentou.

“Então é algo que eu, como mulher e negra, trato como uma vitória coletiva. Mas não basta apenas o número de mulheres aumentar numa cobertura de Copa do Mundo de futebol masculino. Precisamos ver mais diversidade, mais mulheres negras, mais pessoas que fujam de um antigo padrão que era exigido”, finalizou.

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