Presidente do Fluminense discute com repórter no ‘Redação Sportv’

O caso de racismo contra o atacante Gabigol, do Flamengo, que aconteceu na partida contra o Fluminense neste domingo (6) foi tema do ‘Redação’, no sportv, nesta manhã. De acordo com o UOL, o presidente do tricolor, Mário Bittencourt, pediu para participar da atração e acusou Luiz Teixeira, jornalista da Globo, de ter sido preconceituoso ao comentar o tema.

“Acho que dificilmente se o presidente do Fluminense fosse negro essa nota tinha sido escrita, porque quem é negro não duvidaria de quem está denunciando”, disse Luiz Teixeira antes da participação de Bittencourt.

O cartola se sentiu ofendido, dizendo que pessoas de sua família já foram alvo de racismo e que jamais compactuaria com isso.

“Dizer que a nota não teria sido dessa forma se o presidente fosse negro está colocando meu juízo de valor em pauta. Falar isso é tão discriminatória quanto o ato que aconteceu na partida de ontem. Estou indignado com o que eu ouvi, de querer rotular o clube. Nós éramos o único clube da Série A que tínhamos dois treinadores negros, Marcão e o Roger Machado”, comentou Mário.

O presidente do Fluminense seguiu com a acusação de que Luiz estaria insinuando que o fato dele não ser negro influenciou na forma como a nota de repúdio do clube foi escrita. Já o jornalista reiterou que o dirigente é capaz de sentir a dor de outras pessoas, mas jamais passou por um episódio de racismo.

“Queria que você me explicasse o porque o fato de eu ser branco faria eu fazer uma nota diferente da que eu fiz ou não fiz”, indagou Mário.

“Porque você não sente a dor do racismo”, falou Luiz.

“Eu sinto sim, porque minha mulher é negra”, disse Mário.

“Alguma vez, sozinho andando no shopping, você já foi perseguido ou tirado de algum lugar por ser negro? Então você não sente essa dor, você sente a dor das pessoas”, completou Luiz.

“Querido amigo, a nossa nota foi feita de acordo com os fatos ocorridos ontem. Isso não tira o fato de eu achar que sua fala foi discriminatória com relação a mim”, falou Mário.

“Claro, você tem o direito de achar o que quiser”, finalizou Luiz.

Em seguida, o presidente do Fluminense explicou o processo que levou o clube a escrever sua nota. “Nós tivemos acesso a uma publicação do (Antonio) Tabet em que ele fala que tinha a tinha tido a impressão de que o Gabigol teria sido ofendido. Depois disso, vimos o vídeo e achamos que o áudio é inconclusivo. A posição do Fluminense é que o áudio ainda é inconclusivo, solicitamos as câmeras para o Botafogo para ter acesso aos vídeos para darmos entrada em um inquérito. Vamos apurar e queremos que, se a ofensa for confirmada, fazer o máximo possível para punir o suposto autor da fala. Estamos analisando o vídeo desde cedo e temos dois possíveis torcedores que podem ser os autores”, mencionou Bittencourt.

“Nós temos apenas como tomar medidas administrativas, por isso, para que a lei seja cumprida, o Gabigol, caso tenha certeza do que ouviu, deve fazer uma denúncia na delegacia especializada”, completou.

Sportv

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