Coluna do Professor #386, por Albio Melchioretto (O tamanho do território do mundo árabe)

A FIFA nos últimos vinte anos defende a prática do Fair Play. A expressão significa uma forma de conduta que preza pela ética na prática esportiva. A expressão é anterior ao discurso da FIFA. Ela surge em 1896, durante a primeira Olimpíada da Era Moderna, em Atenas, quando o Barão de Coubertin, o organizador dos Jogos, a idealizou por meio da frase: ” the important thing in life is not the triumph, but the fight; the essential thing is not to have won, but to have fought well”. De maneira geral o fair play indica um jogo limpo que envolve a superação de qualquer tipo de fraude no mundo esportivo, mantendo a integridade da disputa.

Nos últimos dias foi concretizada a transação de compra do Newcastle United, por um valor superior a 1,84 vezes da receita do clube. Ele foi adquirido por um fundo liderado pelo governo monárquico absolutista da Arábia Saudita. O Newcastle já esteve em condições melhores, desde os anos de 1950 não vence a primeira divisão, e sob o comando de Mike Ashley é um time de segunda divisão disputando a Premier League. O fundo saudita, nomeado em inglês de PIF, possui ações de várias empresas transnacionais, que segundo o The Guardian, tem por objetivo pensar estratégias financeiras além do petróleo. Não é o primeiro movimento feito nos moldes de um Estado-Nação com um clube. Os Emirados Árabes Unidos, via City Group, controlam o Manchester City e o Qatar o faz com o Paris Saint-Germain. Há claro os outros clubes empresas, mas a questão proposta é pensar a relação Estado-Nação com o futebol.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@professoralbio

Na Coluna #313, “o futebol laranja” escrevi sobre o Sportwashing, a prática de usar do futebol, e do esporte de maneira geral, para limpar a imagem de um país. Os sauditas podem usar o Newcastle para naturalizar uma imagem de bons gestores. Alguém ousa questionar abertamente na mídia o Qatar e os Emirados Árabes Unidos quando estão em campo o Manchester City e o PSG, ou aceita-se, muito tranquilamente, o sucesso em campo sem ao menos questionar a origem financeira de tal construção? Ou ainda pensar nas injustiças sociais árabes e qatari? O futebol não é exclusividade do sportwashing saudita. O país atrai amistosos internacionais, como vários amistosos da seleção da CBF; a Supercopa da Itália; provas da F-E; Extreme E, ainda este ano veremos o primeiro Grande Prêmio de F1 no país. Por que a Arábia Saudita é um problema?

O governo absolutista da Arábia Saudita é denunciado por intolerância. O governo é acusado pela morte violenta do ex-editor chefe do Al-Arab News Channel, o jornalista Jamal Khanhoggi, com participação direta do príncipe, líder do projeto do Newcastle. As mulheres têm seus direitos cerceados e vivem num regime de tutelamento masculino. Opositores da monarquia absolutista são presos e torturados, de acordo com a Anistia Internacional. O regime Wahbismo que impera na Arábia Saudita aceita a violência massiva como forma de controle a legitima a tortura em nome de “Alá acima de tudo, o rei acima de todos”. Diante do quadro, o direito cultural é uma utopia no espaço saudita.

O mundo árabe possui um território maior que o próprio Oriente Médio. A lógica de dominação não se dá pelo fanatismo islâmico, mas pelo capital. Os grupos, tantos dos Emirados Árabes Unidos quanto do Qatar e agora da Arábia Saudita são aceitos, apesar das atrocidades locais, pelo dinheiro que injetam. A dominação está na lógica financeira. Diante do poder econômico e daquilo que dominam, o fair play passa a ser apenas uma faixa de início de partida ou patch de camisa. Naturaliza-se a agressão aos humanos, de modo especial das mulheres, em nome de grandes craques que são comprados. A mídia, por sua vez, discute as jogadas e as contratações sem questionar a origem do dinheiro e a exploração humana que ele significa. Futebol é business e sem fair play.

Como o Talibã não representa uma força capitalista, repudiamos de maneira fácil suas perseguições e reprovamos seus discursos, então, por que o comportamento é diferente com os petrodólares árabes?

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