Chegou a hora de celebrar as conquistas. O Brasil tem o melhor desempenho histórico dos Jogos Olímpicos. Porém, na segunda-feira, 09 de agosto, chega a hora de planejar o próximo ciclo olímpico. O que faremos para ter um melhor resultado em Paris-24? O que ficou como lição em Tóquio-21 foi a descentralização das medalhas, quando se compara as edições anteriores ao Rio-16. Ainda, há uma concentração dos países do Norte, em relação ao Sul. Isso significa que o capital, enquanto investimento, ainda é um produtor de desigualdades no esporte. América Latina e África são forças periféricas no esporte.
O esporte, como um todo é uma questão de ordem política. Retomo a coluna de Carol Solberg, no Brasil de Fato. A atleta escrita retoma alguns dados interessantes que faz pensar que as 21 medalhas brasileiras, apesar do motivo de alegria, é também motivo de preocupação. Em 2005, o governo Lula, institui o programa Bolsa Atleta. Entretanto, faz 10 anos que o programa de bolsa não é reajustado, como também não são reajustadas as bolsas de pesquisa científica. Hoje, vivemos um país sem Ministério do Esporte. Segundo o Estadão, o programa Bolsa Atleta sofreu uma redução de 17% no orçamento, nos últimos três anos e 80% dos atletas que foram a Tóquio-21 dependem dele.
Os maiores medalhistas, fazem do esporte um programa nacional. Estados Unidos e Austrália possuem um programa alinhado a vida estudantil. China; Japão e Rússia fazem do esporte uma forma de divulgação estatal. Enquanto isso, nós vivenciamos o absurdo de deputados governistas usar da imagem de Rayssa Leal para defender o trabalho infantil. Bolsa sem reajuste e uma educação física com quadras precárias e apenas bola na educação básica não forma atleta.
Além de celebrar as conquistas deveríamos recuperar o gesto de Tommie Smith e John Carlos, no podium em México-1968 e exigir melhores condições. O esporte, como afirmou Carol Solberg, se faz com investimentos e políticas públicas de qualidade que vão além dos ciclos olímpicos. Cabe a imprensa perpetuar cobrança por melhores condições. O planejamento de Paris-24, deveria inspirar os países do sul a pensar a formação humana e mobilizar humanos livres e conscientes, para depois chegar aos campeões olímpicos. Será que teremos força para fazer surgir outros atletas ou morreremos com as 21 medalhas?
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.
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