Coluna do Professor #335, por Albio Melchioretto

PRECISAMOS FALAR SOBRE O CASO CAROL SOLBERG

Para falar do caso Carol Solberg quero rever quatro acontecimentos. O primeiro deles é a fala de um amigo na última semana. Ele dizia, “não consigo mais ver o Redação (SporTV), só falam de política”. O segundo acontecimento, já tem dois anos, Felipe Mello, volante do Palmeiras numa entrevista para Rede Globo pós-jogo, “este gol é para Jair Bolsonaro, nosso presidente”, dito algumas rodadas antes do pleito. O terceiro acontecimento foi do Pan-15 (Toronto), lá, alguns medalhistas brasileiros bateram continência para a bandeira no pódio. Por último o tricampeão de F1, Nelson Piquet, esta semana, “como você conseguiu trabalhar tantos anos naquela Globolixo?”, perguntando a Reginaldo Leme, em vídeo viralizado nas mídias sociais.

O que os quatro acontecimentos tem em comum? De certa forma, todos representam um tipo de manifestação política. Há o negaciosismo político no primeiro caso, o extremista de direita na segunda situação, um patriotismo desmedido no terceiro exemplo e por fim, um discurso de ódio na última situação. Qual a diferença deles para o caso de Carol Solberg? Eles não causaram um movimento de caça às bruxas.

Carol Solberg, jogadora de Vôlei de Praia, numa etapa do Circuito Brasileiro, gritou “fora Bolsonaro” em momento de transmissão no Sportv. A jogadora relatou a perseguição em mídias sociais por conta de apoiadores do presidente, e a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), tenta puni-la por causa da manifestação política.

Os ambientes são diferentes, mas a lógica que envolve a manifestação é a mesma dos quatro exemplos iniciais, por que a diferença de tratamento? Talvez a filosofia nos ajuda a problematizar.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@professoralbio

O pensador Karl Popper (1902 – 1994), após a segunda guerra mundial, escreveu um texto discutindo sobre as bases da democracia. Uma dos pilares é a sustentação da tolerância entre os diferentes a fim de evitar manifestações totalitárias. Por conseguinte elimina-se o intolerante. Diz Popper que a tolerância ilimitada nos levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância para os intolerantes, aqueles que aceitam a tolerância serão destruídos pela violência do intolerante culminando na limação da tolerância por extensão. Ao pensar a democracia, ela só existe num estado de privação do anti-democrático.

Voltando ao caso Carol, a posição da CBV, na tentativa de calar a voz da atleta não é inédita. Quando os jogadores da seleção masculina de quadra apoiaram um candidato a presidência, ela também reagiu proibindo manifestações políticas. A preocupação da CBV, em entrevista à Rádio CBN, durante a semana, está na manutenção dos patrocinadores. Ela teme que manifestações podem afugentar o dinheiro que sustenta a federação. Posto isto, temos o problema onde o capital se sobrepõe a valores, manifestações, opiniões e determina um fazer falar a verdade por meio de uma violência institucionalizada e gerida pelo capital. A CBV cria um estágio de violência que faz calar. Mas há uma diferença brutal nos dois casos, os homens foram advertidos, Carol é caçada.

Ao adotar a validade do paradoxo de Popper, precisamos considerar os efeitos das manifestações para categorizar o tolerante e o intolerante. No caso das manifestações de voto, como do Felipe Mello, temos o mesmo direito que qualquer cidadão possui, o mesmo se passa pelos jogadores de vôlei de quadra. No caso do negacionismo político, do ódio a um determinado grupo, ou da perseguição que Carol sofre, é diferente. O resultado da ação se transforma num produto de violência, e está a instalação da intolerância. A capacidade de antever o resultado é o que dá a validade para o gesto de Carol. Não é só uma opinião.

Para vencer a onda conservadora que tenta sufocar a voz daquele que protesta, podemos olhar para o esporte americano e aprender com ele. A NBA possui com um posicionamento um olhar em favor da vida humana; Colin Kaepernick, na NFL que deu início ao ajoelhar-se durante o hino nacional, fazendo pensar o racismo estrutural. A jogadora de futebol Megan Rapinoe, ativista pelos direitos LGBT passou a não-cantar o hino como protesto pela diferença de gênero e tratamento que há. Como em Carol há uma denúncia diante da formação do estado de desigualdade.

O casol Carol é emblemático porque ele ultrapassa a barreira da manifestação e instaura a legitimidade da perseguição a opinião de outrem. A denúncia feita por ela é a favor da justiça social e da necessidade de um novo status. Ela não promove perseguição, censura ou a mesquinhez da preocupação financeira da CBV (de várias denúncias por corrupção), nem um negacionismo político e sequer um discurso de ódio. Carol categorizar os elementos, apontar o intolerante e defender um estágio de tolerância.

A Coluna do Professor se solidariza com Carol Solberg! E ao mesmo tempo, cobra dos mais diferentes veículos uma reflexão profunda e pertinente sobre o tema. 





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