E AS TORCIDA SE LEVANTAM
Domingo de manhã é dia de ver futebol na televisão! Nos últimos anos, SporTV/Premiere descobriram uma proposta alternativa aos horários já estabelecidos. É a hora nobre do futebol europeu. A Rede Vida fez do horário um expediente habitual. Entretanto no último domingo, 31 de maio, às imagens do futebol, estavam nos noticiários. Em vez de bola, bombas de gás e o taco de beisebol usado como arma. Mas este foi apenas um fragmento da passeata que ocorria na Avenida Paulista, São Paulo. Em vez do objetivo, os canais repetiram à exaustão às imagens da violência. Qual a intencionalidade que existe na escolha de um recorte dentro de uma pauta maior?
Futebol e reivindicações políticas têm história. Abordamos alguns exemplos na coluna #303. Um outro que nos ajuda a entender o momento são os “coletes amarelos” na França. O esporte não é alheio e isolado aos fatos do mundo. Discuti-lo, agora, mais do que nunca, é pensar estratégias de poder e governança, porém, as manifestações nascidas de torcedores, se perdem no fluxo com o passar do tempo, eis uma crítica. A mídia focou, o movimento da Gaviões, em São Paulo, mas torcedores do Grêmio e Internacional em Porto Alegre, e Flamengo no Rio de Janeiro, também foram a rua manifestar-se contrários ao conservadorismo negacionista.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
Em entrevista para BBC Brasil, o professor Leandro Piquet da Universidade de S. Paulo (USP), afirmou que os torcedores, “têm disciplina, tática e uma coesão bem montada”. Acrescenta-se o isolamento social e a falta de jogos com uma pauta esportiva aquém da normalidade. Soma-se ainda a indignação do ser pobre e marginalizado. Um dos motivadores da Gaviões afirmou, “doze torcedores da Gaviões morreram de Covid19, o que o governo federal oferece para a gente?” A evidência de uma política pública eficaz.
Os movimentos políticos de oposição, até agora, são incapazes de confrontar a ausência de projeto e as loucuras do governo federal. Governadores cedem a pressão e começam a abertura, sem os estados atingir o pico. Não há adoção de um modelo matemático claro nem transparência federal na amostragem dos dados. É evidente a ida de torcedores à rua, assim como foi em Junho-2013. A insatisfação de contexto é mote. Diante de tudo é elogiável a postura consciente do Redação Home-Office, do Sportv. Carlos Cereto e seus convidados, tecem ponderações esclarecedoras e reflexivas. Para uma sociedade melhor precisamos do olhar da esperança, do fortalecimento de posturas ética e coerência científica.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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