ALEMANHA 7X1 BRASIL, NA VIDA TAMBÉM
A Bundesliga está na segunda rodada em retorno. Já temos números para mensurar seu estágio. Os mortos e os contaminados continuam a diminuir na Alemanha dia após dia. Resultado de uma política estatal eficiente e um povo consciente. O canal Sky Sports divulgou que a transmissão da Rodada 26 atingiu 6 milhões de espectadores. No Brasil, os canais ESPN/Fox Sports tiveram, durante a transmissão, 55% de share entre homens de 19 a 45 anos. Nos Estados Unidos, o Fox Sports, teve aumento de 725% de audiência quando comparado a Rodada 25. Mesmo com números tão significativos, jogadores do torneio relataram para jornais locais, que a experiência do estádio vazio causou estranhamento. Mas neste momento, o futebol não é apenas entretenimento. O momento de silêncio diante do início da partida marca algo mais do que uma homenagem, marca a reflexão necessária para a continuidade da vida. O futebol está sistemicamente ligado ao ecossistema de defesa da vida.
Na contramão, aqui no Brasil, passamos a marca de 20 mil óbitos. Número que continua a aumentar dia após dia. Diante da crise sanitária, acompanhamos um (des)governo que grita com palavrões como método para manter-se do poder, sem ao menos, lamentar a morte. Tenho a sensação que tratam apenas números, e não a vida. Banalizam a morte. Nesta onda, Flamengo e Vasco, ao pressionar a volta do futebol, mostram como são medíocres e como se preocupam apenas como próprio umbigo. Visitar o executivo nacional, e justificar o atentado à vida como “alívio diante do isolamento” é uma grande farsa. O único alívio que estes clubes, e outros que querem a volta, é das próprias finanças. Não se importam com a vida e não respeitam aqueles que morreram. Nesta cruzada de imbecis, o Sportcenter, ESPN Brasil e Troca de Passes, Sportv, estão de parabéns, por se posicionar criticamente contrários a atitude irresponsável de cartolas que desafiam a vida. Outros canais, como o Bandsports, e alguns noticiários ligados a igrejas pentecostais, me lembram Romário: “calados são verdadeiros poetas”.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
Por que Alemanha está certa e o Brasil está errado? A maneira sistêmica como abordam a volta do futebol categoriza a resposta. Óbvio que a volta é ligada por interesses financeiros, tanto lá, como cá. Mesmo assim, os alemães pensaram a estrutura sistematicamente. O futebol, os terceirizados, as transmissões, o entorno e tudo isso, com um sentimento de respeito a torcida, as vítimas e com a intencionalidade de não impactar com a cotidianidade, andando lado a lado com pesquisas científicas e estudos recentes. Já aqui, vamos jogar para aliviar… sem um modelo matemático e aliando-se com um governo alienado e fracassado, na melhor forma de, vamos voltar para ver o que dá. Sem ciência, e muitos, sapiência.
“A cidade significa, ao mesmo tempo, uma maneira de organizar o território e uma relação política” (Raquel Rolnik).
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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