SERÁ O TÊNIS UM PRELÚDIO?
“Vivemos esperando, o dia que seremos para sempre… vivemos esperando… vivemos esperando o dia que seremos melhores. Melhores no amor, melhores da dor, melhores em tudo”, diz uma letra do Jota Quest…
Vivemos em uma sociedade global? Correto? Talvez, e só talvez, o COVID-19 tenha apresentado um novo conceito de globalização. Mas antes dele, o brasileiro Octavio Ianni ao estudar o fenômeno da globalização, o categoriza como sociedade mundial. Ela nasce a partir das duas grandes guerras, e compreende um conjunto semiótico de transformações próprio do Século XX. Muito provavelmente, o ano de 2020 tenha contribuído para o um novo signo da sociedade mundial. Assim como foi o 11 de setembro. No universo do esporte, o tênis, poderá estabelecer um novo paradigma.
Algumas coisas já são sabidas na modalidade. As temporadas de grama e saibro foram canceladas. Os mais pessimistas acreditam que o circuito mundial, tanto da WTA, quanto da ATP, voltem apenas em 2021, apesar de ter estabelecido o retorno da quarentena em 13 de julho. O tradicional torneio de Wimbledon está cancelado, após 75 anos. Roland Garros deverá acontecer entre setembro e outubro. Já o US Open, o primeiro a acontecer dos três, ainda é uma incógnita, pois o complexo está estruturado para ser um hospital de campanha. Tudo isso pensando em respeito à saúde pública, como afirmou um dos executivos da All England Lawn Tennis Club. Algo bem diferente dos agoniados que pendem a volta do trabalho ou os inconsequentes que armaram uma bomba biológica em Milão com aquele Atalanta e Valência, de mais de 40 mil espectadores.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
O tênis é supraterritorial. O circuito visita todos os continentes, inda que sua presença na África e América Central, seja insignificante. Mas está além da territorialidade vista na maioria dos torneios. O que exige um cuidado ainda maior ,que outros eventos e setores, quando se pensa a outro. E na esteira da alteridade este é o momento ideal para se rever valores financeiros. Os direitos de mídia e os valores pagos estão cada vez maiores. O esporte, de maneira geral, é produtor das maiores desigualdades financeiras. Algumas competições estão fora da televisão, por conta de tudo o que é pedido. Rádios começam a deixar muita coisa do esporte de lado, off-tube e repórter em estádio já parece raridade. A mídia impressa rareia. Portais virtuais, pouco criam conteúdo, na maioria, reproduzem de fontes primárias, quando não, secundárias.
O tênis, que conta com os esportistas melhores pagos do mundo, enquanto que vê o fundo do ranking com grandes dificuldades. Ele poderia tomar o pioneirismo da mudança de calendário, parar pensar novos paradigmas financeiros a fim de construir um novo modelo de sociedade mundial. Um esporte disputado com aquilo que seria razoável para acessar, transmitir e premiar. Se nada da pandemia nos ensinar, não haverá dias melhores.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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