Coluna do Professor #249, por Albio Melchioretto



ELA NÃO SAP QUEM EU SOU, ELA NÃO FALA A MINHA LÍNGUA

“Eu não sei se pay-per-view ou quem viu tudo fui eu, a minha TV tá louca”. A provocação é letra Xanéu n. 5, de O Teatro Mágico. A trupe, na canção, brinca com a relação entre pessoas e televisão. Combinemos que a TV anda em baixa diante de outros sistemas, mas ainda penetra quase a totalidade dos lares brasileiros. Em baixa, mas com força. Talvez por isso a faça louca, e não fale mais nossa língua. Uma língua que já foi virtualizada… e assim tenta sobreviver.

Nesta lógica da loucura, a TV por assinatura trouxe no final dos anos de 1990 o pay-per-view – PPV. Entre os produtos PPV temos os canais Premiere que oferecem o Brasileirão Séria A; B; Estaduais e agora Copa do Brasil. As grandes operadoras realizam três tipos de venda. O jogo avulso; pacote de campeonato ou o futebol total. Os últimos dois tipos de venda, podem ser parcelados (estrategicamente) em doze vezes adicionados aos já caros pacotes das operadoras. Dito tudo isto, vamos ao tema de hoje…

O período de Copa América deixa o assinante PPV sem futebol, assim com as férias de verão. É fácil encontrar assinantes reclamando que pagam por meses que nada tem. Fato e erro ao mesmo tempo. Fato por pagar parcelas diluídas, mas as parcelas não estão atreladas aos meses com competição. Pensando este fator, o Grupo Globo poderia pensar no assinante e sanar este desconforto. Poder-se-ia ofertar competições “bônus” a todos os assinantes. Em qualquer parte do planeta sempre há algum jogo rolando. Por que não, por exemplo, não ofertar uma MLS como brinde ao assinante PPV? Mas poderia ser qualquer outra… Não é a competição-bônus, mas a ideia de um bônus para manter fidelizado um cliente que já paga muito caro. Mostrar futebol alternativo.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@professoralbio

Outro problema grave que o assinante PPV enfrenta acontece durante o andamento da competição. O valor, se dividido pela quantidade de jogos possíveis de acompanhar ao vivo é mais caro ainda. Há horários, com quatro jogos simultâneos, quando não mais. Qual a necessidade disso ao longo da competição? Por que não diluir em vários horários? E ainda, os famigerados VT em 60 minutos. Uma redução que perde a dinâmica do jogo. Como os canais, exceto o Canal Premiere Clubes abrem apenas no horário dos jogos, que tal se utilizassem pelo menos dois canais, um para os programetes de Clube e outro para VTS completos? Tudo para deixar o assinante mais satisfeito.

Tudo isso, caro leitor, são apenas devaneios sem outra intenção. Mas como Xenéu canta, a minha TV “não quis mais saber de festa não pensou em ser honesta funcionando quando precisei […] A minha TV tá louca, me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá”.






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