DO CARIOCA AO BRASILEIRÃO
A coluna de hoje tratará de dois temas distintos, o Brasileirão que se aproxima, e será, depois de vinte anos, o primeiro com divisão de rede com direitos de transmissão e por fim, um olhar pelo escandaloso jogo final da Taça Guanabara.
UM BRASILEIRO PARA POUCOS VEREM
Na última sexta-feira, 22, foi divulgada a tabela do brasileirão deste ano. Na sequência, nas mídias sociais, já foram divulgados os primeiros jogos que serão mostrados pelo canal TNT. O Premiere tem direito de 18 clubes, exceção feita a Palmeiras e ao Athlético, mostrarão todos jogos que não envolvam estes dois. Globo com dois jogos por semana, sem a presença destes dois também, e o Sportv mostrará 13 clubes. Será uma confusão para o espectador, nos próximos três anos encontrar, se que encontrará os jogos do seu time. Não vejo como produtivo este modelo de venda da competição.
O problema na venda fracionada dos direitos acontece no ganho. Apenas clubes ganham. O espectador não. Os canais de TV, parcialmente. O espectador ficará perdido na busca do jogo. O leitor de Esporte e Mídia, é um privilegiado que busca informação e tem aqui, um guia de programação e longos debates sobre o tema, mas não é a regra geral. A grande maior dos torcedores, tem dificuldades para encontrar um jogo quando está fora do canal habitual. Por exemplo, nas mídias sociais, os “perdidos” na estreia do Corinthians pela Sulamericana. E aqui no Brasileiro há uma agravante, são três setores da televisão com direitos diferentes. Uma condição para TV aberta, via Globo; outra condição para TV por assinatura, aqui entrando a dupla Sportv e TNT e uma outra condição ainda, para o Pay-per-view. São janelas múltiplas onde apenas os clubes ganham dinheiro, mas fragmenta o campeonato e o produto é desvalorizado, pois muitos não saberão onde encontrá-lo.
Para pensar o produto, a vantagem seria uma negociação em bloco. A liga discutindo valores e transmissões. Uma venda casada, a modo NBB/NBA. Com dias e horários específicos para cada canal. Neste modelo, há uma regularidade, que faria o torcedor habituar-se a uma condição permanente ao longo do campeonato. Venda o produto e não dos jogos, pensar uma liga e não um clube. Um clube sem liga não é nada!
A VERGONHA DA TAÇA GUANABARA
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
Se o futebol carioca estivesse nas mãos de pessoas sérias, a final da Taça Guanabara não aconteceria. Crítica registrada e pontuada, vamos a um problema. Acompanhei o jogo via Premiere na voz de Luís Carlos Júnior, recebi também um vídeo de Luís Roberto criticando a federação e deixei a timeline do Twitter em constante atualização na busca de imagens e críticas mais contundentes.
A segunda-feira repercutiu. Na terça-feira alguns falaram. Na quarta-feira o assunto esquecido. Como a mídia tradicional comporta-se em velocidade de mídias sociais, podemos esperar a repetição da vergonha novamente. Comentários quentes na hora do fato é o esperado. Mas depois dele, uma reflexão séria e reportagens investigativas. O jornalismo investigativo morreu quando o interesse do promotor se mostra maior que o fato em si. Uma jornalismo de oportunidade. Criticar na hora do fato, mas depois dele apurações merecem o olhar sério e denunciante. Como todos esquecemos, os envolvidos seguem em passos letárgicos na morte do futebol carioca. A irresponsabilidade deles, colocou em risco a vida de milhares torcedores. Não se pode esquecer isso.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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