ALGUNS DOS NARRADORES
Na coluna de hoje pretendo continuar a conversa iniciada na coluna passada. Agradeço aos nobres leitores que continuaram a coluna na caixa de comentários. Se lá, falávamos de comentaristas, no texto de hoje, quero categorizar alguns narradores, e assim, como na semana passada, detenho-me a narradores da televisão esportiva. Três tipos, o narrador-bordão, o narrador que apresenta a história do tempo presente e por fim, aquele que vai além da imagem. Vamos a cada qual.
O narrador-bordão não é invenção da década. Narradores dos anos de 1970 já usavam do expediente. O bordão, quando bem usado, diverte, chama atenção e localiza a imagem junto ao espectador. Alguns estão gravados na memória coletiva do fã do esporte. “Foi, foi, foi ele”; “que fase”; “ripa na chulipa e pimba na gorduchinha” ou o mais impactante “abre-se as cortinas e começa o espetáculo”. Os leitores mais novos não devem se lembrar das últimas duas. Grandes nomes do microfone brasileiro, Osmar Santos e Fiori Giglioti. Mas, o que acompanhei nas telas nas últimas semanas, foi o excesso de bordão, a tentativa desesperada de tornar-se engraçado, de forçar a coisa, de falar ele mais que o próprio jogo. E qual a medida certa do uso?
O segundo narrador é aquele que apresenta a imagem. Faz aquilo para o qual foi contratado, relatar em palavras as imagens e movimentos vistos. Alguns se aventuram em dar palpites. Outros exageram nos palpites, o bendito limite é necessário. Alguns ficam apenas no visual. Com outros ainda, se trocar a função da televisão para “mudo” nada acontecerá de diferente. O narrador que conta a história do tempo presente traduz a fala em palavras. Quando ele consegue dosar a emoção é marcante porque nos leva a mergulhar no momento. Quando falo em emoção, lembro de vezes que me encantei ao ver o futebol, com a narração do SBT na Copa América de 1989, vencida pela seleção; a narrativa do Leicester City, campeão inglês, em 2016, pela ESPN, ou ainda a “Batalha dos Aflitos” pela RedeTV!. Momentos, que o contador da história, foi além da imagem.
E por último, o narrador que apresenta algo além. Que estuda o jogo, que acrescenta curiosidades. O Everaldo Marques, por exemplo, na semifinal da Copinha, entre Vasco da Gama e Corinthians, muitas informações e investigações contextualizando o espectador. O bacana é fazer tudo isso sem ultrapassar o espaço do comentarista, sem tornar-se ser mais estrela que o próprio evento narrado. Boa informação não é comentário, são coisas em espaços diferentes.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @professoralbio |
E para você, qual o melhor narrador?
DICA CULTURAL: o Super Bowl LIII está chegando. Como aquecimento ao grande jogo sugiro o longa-metragem Duelo de Titãs (Remember The Titans). A história se passa nos anos de 1970 e conta a história dos desafios enfrentados por Herman Boone (Denzel Washington), ao iniciar o trabalho como técnico negro que assume o comando do T.C. Williams High School Titans, equipe do estado da Virginia – lugar onde o racismo e a segregação ainda eram muito evidentes. Como se já não bastasse ser um desafeto da antiga comissão técnica e da comunidade esportiva local, o novo técnico precisa liquidar os conflitos raciais que envolvem seus próprios jogadores negros e brancos. Interessante pensar estas questões num ano onde o número de demissão de técnicos negros na NFL chama atenção.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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