LIBERTEM A LIBERTADORES
Será que teremos o segundo jogo da final da Libertadores, River Plate versus Boca Júnior? Lembro que o segundo jogo não aconteceu porque alguns poucos torcedores do River Plate atacaram o ônibus do Boca, no translado do hotel para o estádio. O jogo foi suspenso por pressão dos jogadores do Boca e no dia seguinte, nada aconteceu. Em reunião foi decido levar o jogo para Madrid, Espanha, da patrocinadora Santander, mas o River, agora, tem se recusado jogar. Os canais SporTV e FOX Sports, tanto no sábado 24, quanto no domingo 25, ficaram horas no ar sem saber o que noticiar. Muito pré-jogo e pouca informação oficial até o ato do cancelamento em si, onde vivenciamos uma onda de decisões equivocadas por parte da confederação sul-americana. Revivido o contexto, busquei na literatura do futebol subsídios para entender este mundo a parte.
O ato todo causado por alguns barras-bravas, como são conhecidos os torcedores super violentos em alguns países da América Latina, levou a final ao caos e evidenciou a fragilidade da segurança e da organização. O problema é que estes poucos ruins, ofuscam toda uma festa e colocam em cheque a capacidade de organização do torneio. A incapacidade do policionamento da Argentina já faz a disputa em torcida única, desde 2013, e mesmo assim foram registrados 46 mortos – será que o problema está na torcida? Sem torcida não há festa, mas sem competência policial também não há segurança. A violência, segundo a literatura do futebol é um sinal de identidade de alguns grupos irracionais. Buscam nela o autoreconhecimento e a misturam com entorpecentes, lícitos ou ilícitos, produz uma combinação explosiva que se trata de uma forma de encontrar um espaço sociocultural. Mas o problema é que a construção desse espaço é ilegal e que a segurança deve dar conta de separar torcedores dos barras-bravas. Me recuso a entender que vândalos estejam no mesmo patamar de torcida.
O problema não é de hoje e registros históricos mostram isso. A primeira briga com morte envolvendo argentinos, é datada de 1924, em Montevidéu, na final da Copa América. Após o empate sem gols, o título ficou com os uruguaios e na saída do estádio, uma briga envolvendo um argentino resultou na morte de um torcedor da celeste.
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| Albio Melchioretto albio.melchioretto@gmail.com @amelchioretto |
Em meio ao caos, duas coberturas bem diferentes. O Fox Sports mantêm o olhar de patrocinador e fazer uma cobertura água com açúcar, embora tenha PVC como algumas críticas fortes, mas pouca coisa significativa, senão comparar a palhaçada toda com a figura de Piñon Fijo. A cobertura do Sportv teve um tom mais áspero como foi necessário no momento. O papel da mídia não é a crítica descabida nem a política chapa branca, mas de mostrar os fatos, apurar quem são os irresponsáveis pelo caos, desvelar o desleixo da confederação e fazer um tom sério.
Agora a questão, por que nós espectadores, o clube e os verdadeiros torcedores são punidos?
DICA CULTURAL:
La doce: a explosiva história da torcida organizada mais temida do mundo. Gustavo Grabria e prefácio de Mauro Cezar Pereira. São Paulo: Banda Books, 2012
Barras Bravas en el fútbol: consumo de drogas y violencia. Guillermo Alonso Castaño Pérez et al. Medellin: Fundación Universtaria Luis Amigó, 2014
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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