Olá a todos!
Pensei muito se deveria ou não escrever sobre toda a confusão em torno dos comentários feitos pelo Juninho Pernambucano nas últimas semanas. Imbuído de coragem, cá estou para dar uma apimentada e problematizar mais ainda tudo o que tem acontecido nos últimos dias. E como diria o bom e velho Jack, por partes.
O talento de Juninho sempre foi inegável, não é à toa que a torcida vascaína tem uma música em que o cita nominalmente. Internacionalmente sua carreira foi boa. Basta verificar o tanto de títulos que o Lyon teve antes de sua chegada, durante seu tempo de clube e, principalmente agora, após a sua saída. Então como jogador, adquiriu muita experiência não só em terras tupiniquins como também no além-mar. Claro, não credencia ninguém a virar comentarista. Sabemos que isto não basta. Ao fazer a passagem para o lado mais fácil (sim, acho que analisar/ comentar é mais fácil que jogar), demonstrou inteligência e sabedoria.
Onde errou? Juninho comprou briga com uma das maiores torcidas do país, sucessivamente. Uma torcida acostumada a ser adulada por boa parte dos comentaristas e narradores, que é extremamente melindrosa quando ou ela ou seus ídolos são criticados. Ao fazer, foi xingado por causa da sua origem nordestina, foi ameaçado de morte e chegaram ao cúmulo de ameaçar seus familiares. Isso tudo está lá nas redes sociais dele, dá pra conferir e verificar o tanto de exagero. O problema é que polêmicas são boas até certo ponto, passou desse ponto, começa a influenciar no público consumidor. A grita foi tanta que o mesmo pediu para não comentar mais jogos do referido time.
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| Alipio Jr. @alipioj |
A coisa esfriou e tudo estava normal até novamente Juninho, com suas opiniões contundentes não só criticar a violência praticada contra os jogadores nos seus locais de treino e nos aeroportos, dizendo que o clube é conivente em algumas situações e foi além, ao dizer que alguns jogadores (e foi específico ao falar de um deles) perdem boas oportunidades para combater tais ações. O golpe de misericórdia, acredito eu, sem nenhuma confirmação, foi quando Juninho Pernambucano malhou os setoristas e ainda deu nome aos bois, falando do UOL.
Além de ter visto ao vivo, fiz questão de rever o vídeo para tentar não esquecer de nada. Juninho pode até ter errado no tom, mas o que disse está longe de ser mentira. Qualquer torcedor identifica facilmente o que não gostou na notícia divulgada pelo setorista. Principalmente quando o indivíduo está há anos no rival. É implicância? Pode até ser, mas não inviabiliza a sua declaração. Ou vocês acham normal que o Jornal Extra continue – diariamente – citando o goleiro Alex Muralha, mesmo com o goleiro jogando no Japão? Há outros brasileiros por lá e ninguém os cita, em momento algum.
Particularmente não vejo metade do problema que causaram. É normal que o SPORTV discorde dele, é normal que você discorde dele e é normal que qualquer um discorde dele. O debate é salutar. Ou pelo menos deveria ser. A geração atual tem uma dificuldade imensa de aceitar ser contrariada. Qualquer opinião é rebatida com jargões ou tentativas de menospreza-la, pois é mais fácil tentar “lacrar” que argumentar ou indicar por que esta opinião não deveria ser aceita, ou apontar onde se excede.
Hoje foi anunciado que o ex-jogador pediu a rescisão do seu contrato com a Rede Globo, que não se opôs. Durante a Copa do Mundo Roger Flores estará na equipe da TV aberta, no seu lugar. A substituição empobrece o debate e a análise, quem perde e a emissora. Agora, poderá fazer alguém feliz. Quem? A emissora que for rápida e contratá-lo. Adoraria vê-lo comentando a Premier League, por exemplo, mas não acharia nada mal tê-lo ao lado do PVC nos debates.
Que tal?
Abraços e até a próxima.
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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