COLUNA #185 | Deixa ela trabalhar, por Albio Melchioretto

“Que o teu afeto me afetou é fato” (Teatro Mágico, A fé solúvel). Alteridade, colocar-se junto com o outro, sentir o afeto do outro, estar com ele na conquista e também afetar-se pela dor do outro. Fazer-se próximo. A letra do Teatro Mágico me fez pensar e sentir o quão prejudicial é a barbárie que toma conta de nosso país. O estádio de futebol tem se mostrado como uma arena própria para ações machistas e homofóbicas.

Superar a violência, em todas as suas formas, é um dos desafios que enfrentamos. Na semana vivemos a repercussão da campanha #DeixeElaTrabalhar. Uma iniciativa de diversas profissionais mulheres de vários veículos que buscam denunciar e refletir sobre os abusos que elas sofrem nos espaços de trabalho. Uma denúncia a barbárie e selvageria que diariamente se faz presente no estádio, no trabalho, na casa e na vida de tantas mulheres.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto

O respeito a mulher, não apenas no estádio de futebol, mas na vida, é uma questão básica de direitos. Urge superar a barbárie que toma conta dos espaços. Ao violar o espaço de outrem cometer-se-á uma violência sem fim. É inadmissível ver uma mulher passar pelo que essas jornalistas heroínas denunciam. O esporte sempre é lembrando, ao lado da educação, como um elemento promotor da dignidade e do crescimento humano. Os clubes e a segurança pública não podem esconder em arquibancadas animais criminosos que invadem o espaço do outro. O afeto que me afeta hoje é a solidariedade com as mais diferentes jornalistas que tomam voz nesta campanha, com a tantas outras vozes que são caladas por um sistema letárgico e ineficiente.

O exemplo deveria vir de nossos legisladores, mas estes preferem ceder a ideologias religiosas que buscar uma fundamentação em pesquisas e apoiar-se na comunidade científica. O movimento #DeixeElaTrabalhar não pode silenciar-se em uma semana, ele precisa ultrapassar os muros da escola, penetrar em todos os lares e discutir, porque ainda não tratamos as mulheres com a dignidade que são de direito. E a mídia esportiva podem também contribuir para uma reflexão mais profunda. Um bom exemplo é este destacado pelos canais ESPN.



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