COLUNA #165 | Contra a corrupção, mas a favor da pirataria, por Albio Melchioretto

Jogos na televisão aberta são dois por semana. Certo? Com diferenciação entre praças, mas o horário é sagrado, quarta-feira depois da novela e domingo a tarde. Faz mais de dez anos que vivenciamos isso, salvo exceções e a seleção brasileira em campo. Quem cresceu com este sistema, foi o sistema pay-per-view, oferecendo 100% de cobertura das duas principais divisões do campeonato brasileiro e jogo dos grandes pelos finados estaduais. Este tema já foi amplamente discutido neste espaço noutras ocasiões.

O site Máquina do Esporte, noticiou, ao longo da semana que passou, a tratativa da Globo em barrar, via justiça, um site que vende jogos do Corinthians mediante mensalidade para associados. Se você leitor, tiver um pouco de paciência, encontrará serviço semelhante, ofertando exclusividade de vários clubes brasileiros e estrangeiros inclusive. Pay-per-view pirata. Muito fácil para o acesso e barata demais quando comparado ao serviço oficial e vai além da possibilidade de ver apenas dois jogos por semana, ou ainda, da ideia de tirar vantagem a todo custo. Recomendo? Com certeza não.

Albio Melchioretto
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto

Não é questão de ter vantagem, mas é um problema endêmico. Como noutras vezes recorro a ideia de bem de acordo com o filósofo Immanuel Kant. Para ele a vontade é pura, moral, quando suas ações são regidas por imperativos categóricos e não por imperativos hipotéticos, como a punição da lei. O imperativo categórico pode ser assim enunciado de forma que: “age de tal modo que o motivo que te levou a agir possa tornar-se lei universal.” As pessoas devem pautar suas ações de acordo com princípios éticos universalmente aceitos. O famoso jeitinho brasileiro não é explicação aceitável num universo de seriedade.

É evidente que os preços praticados no Brasil pelos veículos midiáticos oficiais é alto e caro. Nossa discussão deverias tangenciar um preço justo e acessível, e os clubes pensar em massificar o acesso, mas mesmo diante de tais problemas, os fins não justificam o meio ilícito. Subverter a lógica do capital com o roubo somente é interessante nas histórias de Robin Hood.

O que chama atenção neste fato, mais que o acesso, são os comentários nos diversos fóruns e páginas que oferecem serviço pirata. Motivados pelo jeitinho de conseguir mais barato e ter vantagens, mesmo que de maneira ilícita, submetem-se a tal propósito. E são os mesmos, que poluem as mídias sociais com discursos anticorrupção, mas se corrompem motivados pela paixão do clube. O que nos levam a um comportamento tão distinto quando o princípio que rege a conduta humana dever-se-ia estar uníssono?



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