Já fazem colunas que venho falando do futebol como business. Não há como fugir do profissionalismo e das necessidades de mercado. O futebol é um produto. Ele tem preço e está nas notícias, por exemplo, na semana passada li em alguns sites o ranking dos campeonatos mais rentáveis; discussão do modelo espanhol de vendas com intenção de aproximar-se do modelo britânico. Se discute futebol a luz do mercado. Na semana passada, também, comentei sobre a influência da mídia nos regulamentos, e nesta deparo-me com uma notícia que segue a mesma linha.
Estamos a viver a semana de transição entre o final dos longos estaduais e o início da principal competição nacional. No último dia 29, numa reunião entre a CBF e representantes dos clubes partícipes foram discutidas ideias para melhor organizar as partidas. Uma das sugestões fora que apenas um jogador fale no campo com a detentora dos diretos e depois, todos vão para a zona mista para atender os possíveis interessados, devidamente credenciados pelas federações. Algo parecido com o modelo adotado nos padrões FIFA e nos principais campeonatos europeus. A ideia traz em si a construção de um espaço em campo mais limpo e privilegiando aqueles que pagam para ter os direitos da competição. Cabe lembrar que a detentora é a Rede Globo com os braços SporTV e Premiere, além de Bandeirantes e Fox Sports, na Série A e RedeTV! na Série B que são sublicenciadas para as respectivas competições.
Como uma moeda, sempre há dois lados, aqui não será diferente. Precisamos mais de profissionalismo no campo. Não cabe mais a moda dos anos oitenta. Sei que alguns irão criticar-me, mas ao exigir um futebol profissional, é preciso profissionalizar o espetáculo. Não é apenas um jogo de futebol, é um produto a venda e aqui cabe ver o modelo midiático adotado no esporte estadunidense. O outro lado é que apenas tal medida não vai melhorar o espetáculo. Existe outro detalhe que nos difere dos outros campeonatos: o tamanho do Brasil somado com a paixão pelo futebol. A quantidade de rádios que transmitem os jogos são gigantescas e elas sofrem com as condições precárias. O resultado desta precarização é quantidade jogos em off-tube feito pelas rádios e com a nova intenção com certeza aumentará. A medida de otimizar o espaço dos jornalistas em campo, deixando a partida mais limpa deveria vir acompanhada de outras soluções (mesmo que utópicas) como a racionalização do calendário; a diminuição da desigualdade de rendas e a profissionalização da gestão. Seria um grande pacote. Não sou contrário a esta ideia, mas ela solitária não fará diferença. Se estas possibilidades realizar-se-ão, com certeza haveríamos um espetáculo para concorrer com o Futebol Inglês nos estádios, nas contratações e na qualidade, por ora, uma imagem mais limpa não resolve nada.
Albio Melchioretto – colunista do esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
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Henrique Neves é antropólogo por formação, mas esportista por natureza. Apaixonado por vôlei, aprendeu a jogar ainda pequeno. Escreve sobre esportes e ama praticar esportes radicais. É formado em Comunicação pela PUC-Rio. Fã de Vinicius Jr, torce pelo Flamengo.

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