No universo do futebol, a Lei do Ex é um daqueles conceitos que parece tão real que quase se transforma em uma lei escrita.
A ideia é simples: um jogador, ao enfrentar um clube que já defendeu, tem uma chance maior de marcar um gol contra sua antiga equipe. Mas será que essa crença se sustenta na prática, ou é apenas mais um mito que rola no futebol?
É mito?
Muito familiar nas rodas de conversa entre amigos, o termo “Lei do Ex” como busca na internet ganhou força mesmo a partir de 2007, segundo dados do Google Trends. Contudo, foi em 2018 que o conceito atingiu um pico, com um aumento muito grande nas pesquisas.
Esse crescimento coincide com um número significativo de gols de jogadores contra seus ex-clubes durante o Brasileirão daquele ano. Ao todo, foram registrados 77 gols, o segundo maior número daquela década.
Na edição do Campoenato Brasileiro de 2023, a Lei do Ex apareceu com uma frequência menos marcante. Durante o todo o Brasileirão do ano passado, 35 gols foram marcados por jogadores em seus antigos clubes.
Eduardo Sasha (Bragantino) foi o atleta mais vingativo, marcando 4 gols contra ex-clubes. Com passagens por Internacional, Santos e Atlético-MG, o gaúcho não teve “compaixão” contra as camisas que já defendeu.

Motivação ou simples coincidência?
Caio Ribeiro, ex-atacante e hoje comentarista da Rede Globo, acredita que o fator motivacional é o principal motor da Lei do Ex. Segundo o ex-goleador do São Paulo, a vontade do jogador de “dar uma resposta” para seu antigo clube é o que mais impulsiona esse fenômeno.
“É um jogo diferente dos outros. O jogador fica ansioso pela reação da torcida, se perguntando se será aplaudido ou vaiado”, explica Caio.
Esse lado emocional, segundo o comentarista, faz com que a preparação para esse tipo de partida seja especial e, muitas vezes, decisiva para o desempenho em campo.
Outro aspecto a se considerar é como os jogadores lidam de maneiras diversas com a pressão, principalmente quanto à reação em momentos do jogo como o gol. Falando por si, Caio sempre optou por comemorar seus gols, independentemente do adversário. Para ele, a comemoração é parte do esporte, desde que feita com respeito.
“Nunca fiz dancinha ou mandei a torcida calar a boca, mas sempre celebrei com meus companheiros. Cada um reage de acordo com seu perfil e suas experiências”, completou.
A Lei do Ex é tão comum quanto parece?
Apesar do destaque dado à Lei do Ex, é importante contextualizar os números. No Brasileirão de 2023, foram marcados 946 gols no total, dos quais 908 não se encaixam nessa máxima. Isso mostra que, apesar de chamar a atenção, os gols de ex-jogadores representam uma pequena parte do campeonato.
A Lei do Ex no futebol brasileiro pode até não ser uma regra, mas certamente é um fenômeno interessante que agrega uma dose extra de emoção ao esporte. Resta saber se ela continuará a se manifestar nos próximos campeonatos ou se permanecerá como uma superstição divertida entre os torcedores.
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Ederval Fernandes é natural de Feira de Santana, Bahia. Torce para o Flamengo e tem em Ronaldo Angelim o seu maior ídolo no esporte.
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