O futebol argentino em risco com Javier Milei? Torcedores do Boca e do River estão preocupados

O político argentino de extrema direita, Javier Milei, recém-eleito para a presidência do país, pretende transformar os clubes de futebol em empresas de capital aberto, permitindo investimentos privados nos times. Essa ideia gerou preocupações entre torcedores do Boca e do River. Os clubes, representados pela Associação do Futebol Argentino (AFA), expressaram oposição, destacando seu compromisso como organizações civis sem fins lucrativos. Enquanto Milei busca uma abordagem mais agressiva, os clubes argentinos resistem, enfatizando a propriedade pelos sócios.

Javier Milei chamou a atenção durante sua campanha presidencial ao sugerir transformar os clubes de futebol em empresas de capital aberto. Isso surgiu após uma entrevista na qual ele foi questionado sobre sua opinião em relação à possível entrada de um proprietário árabe no Boca ou de investimento francês no River.

Milei citou a Premier League da Inglaterra como exemplo da implementação desse modelo. Esse sistema funciona por meio de direitos televisivos, fundos de investimento, receitas recorrentes e sistemas de contratações, além do fato de os clubes serem listados na Bolsa.

Além disso, o presidente argentino, que era um fervoroso torcedor do Boca Juniors, decidiu retirar seu apoio ao clube quando o ex-presidente, Daniel Angelici, escolheu reintegrar Juan Román Riquelme à equipe no final de sua carreira. Milei descreveu essa decisão como um ato populista.

Resposta dos clubes à decisão de Milei

Os membros da Associação do Futebol Argentino (AFA) expressaram abertamente sua oposição ao candidato liberal e se manifestaram por meio de comunicados oficiais em suas redes sociais. Isso com o objetivo de se unir contra a proposta de reforma do futebol argentino.

A intenção é fortalecer seu status como organizações civis sem fins lucrativos e rejeitar a possibilidade de se tornarem sociedades anônimas.

O River Plate deixou claro que o clube “sempre pertencerá aos seus sócios”, enquanto o Boca enfatizou sua posição contrária “a qualquer iniciativa que envolva sua privatização ou venda”.

Quanto aos jogadores, quase todos decidiram ficar em silêncio. Isso contrasta com o que aconteceu no Brasil em 2022, quando Neymar, Ronaldinho, Rivaldo e outras figuras do futebol brasileiro declararam apoio a Jair Bolsonaro ou Lula, que acabou vencendo e é o atual presidente.

A economia como motor do futebol na Argentina

A operação dos clubes na Argentina se baseia nos patrocinadores sociais, que contribuem financeiramente para adquirir uma participação na propriedade do clube.

Além disso, a economia argentina é um tema de discussão recorrente, com uma inflação que atingiu quase 150% em um ano. O país também está lidando com uma dívida de 44 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI), adquirida em 2018 durante a administração de Mauricio Macri, que também tinha uma orientação liberal.

No âmbito do futebol, Boca e River são clubes que geram receitas consideráveis, mas há uma disparidade evidente com outros clubes argentinos. A receita de um clube da primeira divisão (excluindo os grandes clubes) representa apenas 37% da receita dos shoppings de Buenos Aires e 7% do que os supermercados geram nacionalmente.

“Ainda sendo baratos em termos internacionais, Boca e River faturam 30% dos clubes do Brasil e 5% dos grandes clubes europeus”, destacou o economista Federico Seeber sobre a situação.

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